Conheça o Fábio

Conheça a história de Fábio Felix, 1º distrital LGBT e negro eleito para uma cadeira na CLDF

 

O preconceito sofrido na pele mostrou ao Fábio, desde muito cedo, que as coisas precisavam ser modificadas. A infância marcada por piadas homofóbicas e uma adolescência vivida a partir da mudança frequente de escolas ajudou o primeiro distrital do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) a compreender que o preconceito é perverso. “Eu era muito novo quando entendi que a minha vida não seria fácil. Mesmo assim, eu decidi sair do armário e encarar todas as consequências dessa atitude que foi o meu primeiro grande ato político”, revela.

Aos 16 anos, Fábio Felix recorreu ao apoio da família para ajudá-lo a compreender que a sua orientação sexual não era “um crime”. Os pais, Kátia Felix e Eliseu Silveira, foram o acolhimento que o filho precisava. “Eu nunca vou esquecer do dia em que meu pai me disse que eu não precisava sentir vergonha e que eu podia trazer meu namorado epara nossa casa. Foi uma atitude fundamental para o meu processo de aceitação”. As irmãs não só apoiaram como se tornaram uma espécie de fortaleza para ele. “Eu sentia um apoio e uma proteção muito fortes. Imagina se toda pessoa LGBT tivesse esse suporte? É um dos meus maiores desejos!”, conta.

 

Da liderança religiosa à militância social, estudantil e partidária

A igreja Batista foi um importante espaço de formação para o parlamentar, que começou a frequentar a congregação ainda criança. Ele conta que a leitura bíblica, “de difícil compreensão até para adultos, quem dirá para uma criança?”, o fez adquirir gosto pela leitura e pela reflexão. “Foi uma trajetória de muita introspecção, de muito autoconhecimento, mas também de muito conflito”. A essa altura, Fábio Felix já começava a compreender sua orientação sexual e buscava no estudo religioso um alento para suas angústias. Se por um lado a igreja foi cenário de dúvida e de dor, por outro foi o cenário ideal para o nascimento do Fábio militante. “Tudo era decidido de forma coletiva, até as canções do coral. E também tínhamos eleição para tudo, foi ali que eu criei gosto pela liderança e entendi que só coletivamente a gente conquista as coisas”.

Veio a fase do vestibular e Felix teve dúvidas entre estudar Ciências Políticas ou Serviço Social. Acabou optando pelo segundo curso e por uma carreira que exige muita vocação. Foi na Universidade de Brasília que ele começou a compreender o que o futuro lhe reservava: iniciou a trajetória no movimento estudantil, seunuiu às pessoas que articulavam a criação do PSOL, coordenou o Diretório Central dos Estudantes da UNB (DCE) e participou ativamente da histórica ocupação da Reitoria, em 2008. “A universidade foi muito importante para mim: para o meu engajamento. Foi ali que eu não tive mais dúvidas: para transformar a sociedade, a gente precisa fazer a luta coletiva”, detalha.

 

Atuação no Sistema Socioeducativo e a ressocialização de jovens

Recém-formado, ele se dedicou ao cuidado com crianças e adolescentes em situação de rua e vítimas de exploração e abuso sexual. “Foi uma fase muito difícil, mas também de muito aprendizado e de fortalecimento da minha militância”, afirma. Como gosta de desafiar o senso comum, escolheu o Sistema Socioeducativo enquanto carreira. “Existe todo um tabu em torno do Socioeduativo: jovens presos que a sociedade não quer, não cuida e nem respeita. Durante o curso, eu já tinha me apaixonado pela proteção aos direitos das crianças e dos adolescentes, então percebi que um novo e importante desafio me aguardava”, conta o assistente social que já atuou em diversas unidades de internação, entre as quais o Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje).

Fábio Felix dava aula o dia todo e estudava de madrugada para passar no concurso do GDF. Saía da Católica e da UNB e ia direto para o cursinho preparatório. Obstinado a ingressar na carreira, chegava em casa e continuava as leituras. Acabou aprovado em 2º lugar no certame e diz que valeu muito a pena. Aos 33 anos recém completados, o jovem parlamentar coleciona histórias de vitória no Socioeducativo. Conforme relata, foram muitas noites de insônia, de pesadelos e de tristeza por vidas perdidas, mas também foram muitas as trajetórias modificadas.

O assistente social se uniu a outros colegas de profissão que entendiam que era preciso construir uma nova prática de justiça juvenil. “A violação de direitos era algo muito pesado. Não podíamos aceitar que o estado adotasse essa conduta e criamos mecanimos para incidir de forma positiva na vida daqueles jovens”. Foi aí que nasceu o Espaço Conquista: modelo de atendimento implementando na unidade de internação de Planaltina e que consistia em incentivar o bom comportamento e a qualificação profissional dos internos, além de atendimento psicossocial. “Hoje eu reencontro vários jovens pelos quais a gente lutou e que ressignificaram suas histórias. Por isso eu afirmo: não existe receita e nem destino implacável, a vida ensina a gente todo dia e sempre é possível recomeçar”.

 

Uma candidatura construída a muitas mãos

Não foi fácil decidir se candidatar, mas Fábio entendeu que era preciso. “Nunca é uma escolha simples, se candidatar exige muita coragem e muita renúncia. Mas a abdicação da vida pessoal e a exposição a ataques ficam muito pequenas diante da vontade de mudar as coisas, de lutar pelas pessoas!”, contou. Essa foi uma decisão coletiva, o PSOL entendeu que a candidatura do presidente regional do partido era viável e necessária. Foram duas tentativas antes da vitória: 2006 e 2014. “Eu olho para trás e tenho muito orgulho do que a gente construiu, de cada pessoa que acolhemos, de cada casa que visitamos. A gente veio em uma crescente, com cada vez mais gente se voluntariado para tornar esse sonho real”, revelou.

 

O mandato de portas abertas e da pluralidade de pautas

“Muita gente acha que o nosso mandato vai ser estritamente focado na pauta LGBT+. É evidente que essa defesa será feita, ela está entranhada em mim. Mas nós vamos debater mobilidade urbana e direito à cidade, requalificação das regiões do DF para que as pessoas tenham mais qualidade de vida, acesso à cultura, saúde pública de qualidade, educação cidadã. Vai ser um mandato plural, de muitas e importantes pautas”, afirma o parlamentar que pretende – entre outras coisas – lutar pela melhoria do transporte público no DF, uma das principais demandas da população.

Fábio Felix revela que o gabinete será uma central de atendimento às pessoas. “As portas estarão 24h abertas para que a população apresente suas demandas. Também atuaremos como um ponto de acolhida às denúncias de violação de direitos. Eu gosto de dizer que seremos uma central da dignidade humana”. O formato de mandato itinerante também está nos planos. “Nós rodaremos o DF para conhecer de perto as necessidades e desejos de cada comunidade”.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa conta que o principal desafio vai ser a efetividade das políticas públicas e a atuação conjunta com órgãos como a Defensoria Pública, além de manter as portas abertas para o acolhimento aos segmentos sociais. “Existem, no Brasil, muitas experiências bem sucedidas e que vão guiar o nosso trabalho. A atuação do deputado Marcelo Freixo e da vereadora Marielle Franco, por exemplo, foi extremamente exitosa e vai servir de inspiração para os projetos que a gente vai executar”.

Fábio é conhecido pelo sorriso largo e pela personalidade afetuosa e acolhedora, características que ele pretende preservar enquanto Distrital. “Claro que a gente não pode respoder ao ódio de forma ingênua. O ódio exige uma posição firme! Mas a empatia é fundamental na política: é você se perceber no outro”. Sobre a importância de coletivizar o mandato, ele explica que é impossível implementar qualquer mudança sozinho. “Eu tenho convicção da importância da atuação coletiva. Eu busco construir essas pontes, porque com isso eu não vou só. Não sou só eu, Fábio, é muita gente! São muitas vozes que representam aquela ideia”. Sobre as persperctivas para o mandato, Fábio demonstra lucidez quanto ao que vem pela frente. “Nós vamos juntos para resistir e para lutar, sabendo que cada batalha não vai ser fácil e que cada conquista vai ser fruto de muita persistência e de muita coragem”, finaliza.

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