Há 100 dias a população do Distrito Federal aguarda o prometido salto de qualidade dos serviços públicos. Foram inúmeros os compromissos de campanha do então candidato Ibaneis Rocha: saúde de qualidade para a população; transporte público eficiente; aumento de salário para o funcionalismo; escola pública com índices educacionais elevados. Já se passaram quase quatro meses da nova gestão e nenhuma dessas promessas se concretizou ou, pelo menos, deu sinais de implementação.

A terceirização da saúde – votada de forma açodada e sem o debate público – tem se mostrado inócua. Nem mesmo o Hospital de Santa Maria – escolhido como piloto do “SOS Saúde” – apresenta resultados melhores. São frequentes as reclamações de demora ou falta de atendimento. Já a militarização das escolas, apresentada como falsa solução para a melhoria da educação pública, sequer mostrou eficácia e já deve ser expandida para outras 36 unidades, o que comprova o caráter intempestivo do governador Ibaneis.

Ao invés de promover a justiça fiscal no DF, Ibaneis insiste em reduzir impostos pagos por ricos, enquanto trata Passe Livre Estudantil como privilégio. Ora, se estudantes que trabalham o dia todo para pagar a faculdade “não precisam de benefícios”, por que milionários podem pagar menos impostos na hora de receber herança? A incoerência desse tipo de proposta mostra que o problema do Distrito Federal não é falta de recursos, mas falta de prioridades.

Traindo mais um compromisso de campanha – ocasião em que chegou a afirmar que, se necessário, usaria seu próprio dinheiro para reconstruir casas derrubadas – o governo Ibaneis mandou derrubar as casas de famílias vulneráveis. A remoção feita em Santa Luzia (Estrutural), por exemplo, foi acompanhada por uma série de violações de direitos humanos. A possibilidade de retomada dos terrenos na Orla do Lago retrata a diferença de postura do Governo em função da classe social: aos ricos, a benevolência; aos pobres, os tratores.

É hora de os movimentos organizados da cidade irem para a rua; é momento de posição firme da sociedade civil e dos movimentos sociais em defesa dos direitos humanos e sociais, para que não haja mais retrocessos e para que a população mais vulnerável e a classe trabalhadora sejam priorizadas pela gestão do emedebista. Nossa oposição ao governo Ibaneis é programática, o que não nos leva a torcer pelo fracasso de sua atuação. Ao contrário: sempre nos posicionamos favoráveis às medidas que trazem qualidade de vida para a população. No entanto, fica evidente a falta de foco e de coerência dessa gestão, que penaliza os vulneráveis e os trabalhadores enquanto acena para a manutenção de privilégios dos mais ricos. Caso Ibaneis decida priorizar o desenvolvimento social, terá o apoio de nosso mandato; do contrário, continuaremos combativos, provando que a oposição é importante para o fortalecimento da democracia e do poder público.

Fábio Felix, deputado Distrital e líder da minoria na CLDF

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