Postais de Brasília

Há uma certa percepção difundida de que Brasília é uma cidade fria, em que há pouco espaço para pessoas e subjetividades, decorrente de definições modernistas de arquitetura e planejamento urbano. Gostaríamos de questionar tais entendimentos como únicas formas de compreender a cidade e propor um convite à exploração de aspectos não convencionais que compõem as inúmeras camadas da Brasília contemporânea.

Pensar e produzir cartões postais envolve diretamente aspectos estéticos de vivência urbana. Essa foi a plataforma que escolhemos para materializar nossas investigações sobre a cidade. Também coloca no mundo nossa visão em aberto, que receberá novas leituras e intervenções a cada envio. Em um mundo cada vez mais digital, o postal resiste como um objeto de caráter pessoal e de estabelecimento de laços afetivos entre pessoas a partir da correspondência e materialidade. Além de permitir experimentações gráficas e de linguagens, o postal tem em si o potencial de viajar para diferentes localidades carregando um pouco da vida e cultura brasiliense.

A cidade não é uma só. Não é só a cidade planejada no papel, imaginada pelo arquiteto, mas também as milhares de cidades imaginárias daqueles que de fato habitam o espaço. A vida urbana é formada pelas pessoas que a ocupam, pelas transformações diárias dos espaços, da apropriação de suas características e das renovações constantes de cada uma delas. O registro de todas as mudanças é múltiplo e subjetivo, e cabe na identidade da cidade as gírias, as notícias e histórias, todos os elementos naturais que a compõem e as pessoas que vivificam esse lugar.

Nossa familiaridade e criação de laços afetivos com os lugares onde vivemos e por onde passamos tem relação direta com as memórias, os pequenos objetos, cartões postais, imagens e sensações que levamos de cada vivência. De algum modo, essa relação é expressa por meio dos sentimento que temos pelos lugares, e Brasília acumula milhões de sentimentos contrastantes sobre si. Há quem fale bem, há quem fale mal; há quem ame viver na cidade e há quem deteste suas distâncias. E essa pluralidade é importante para que se tenha uma relação saudável de dissenso, mantendo vivo o questionamento e o debate.

Gostaríamos de propor um convite à exploração da experiência sensível de Brasília. O resultado dessa investigação é uma abertura para diversas possibilidades de navegação, leituras e criação de narrativas. É a própria observação cotidiana de Brasília, exercitando um olhar curioso sobre o que muitas vezes já se tornou familiar. Quais são linguagens, pessoas, materiais, tradições que transbordam visões únicas da cidade?

Aqui em BSB

Somos o aqui em bsb, um coletivo de cartões postais brasilienses, um projeto de investigação constante sobre a vida urbana, cultura e patrimônio de Brasília a partir de uma perspectiva sutil, humana e bem-humorada. O projeto é desenvolvido pelas designers Ana Cecilia Schettino e Isabella Brandalise.

Com o objetivo de pensar alternativas aos problemas que afligem a população, o projeto 30 Dias Pelo Direito à Cidade busca formar um mosaico de visões dos mais diversos personagens que vivem, constroem e projetam a metrópole brasiliense.

Todos os textos são de responsabilidade do(a)s respectivo(a)s autore(a)s.

 

Conheça nossa Newsletter!

Inscreva-se para receber informações toda semana sobre o trabalho do mandato na Câmara Legislativa do DF.

Obrigado! Sua inscrição foi confirmada.