A importância da ocupação sustentável da Orla

Um rápido olhar sobre a cidade chamada Brasília é o suficiente para ver que não se trata de um simples complexo urbanístico. É um verdadeiro tratado estético, paisagístico e humanista. Composta por monumentos e obras de arte por toda parte, nossa cidade (quase sexagenária), também ostenta um rico catálogo natural, dentro e às margens do majestoso Lago Paranoá.  A Associação #ocupeolago surgiu há cinco anos com a missão de promover a qualidade de vida por meio do uso seguro e sustentável do Lago Paranoá e das águas do Cerrado.

Nós do Ocupe o Lago apoiamos o controle social e a prestação de contas proativa. Agimos de forma colaborativa, articulando iniciativas com o Poder Público e com a Sociedade Civil, organizada ou não. Respeitamos todas as formas de vida, em especial as pessoas, em suas complexas diversidades, e o ambiente (meio) em que vivem. Lembro-me do dia em quem fundamos o movimento: em poucas horas, já tínhamos mais de mil confirmados em um evento de rede social. E foi assim que fizemos – em 22 de março de 2014 – o primeiro Dia Mundial da Água. Na ocasião, retiramos nossas primeiras 20 toneladas de lixo do fundo e da margem do Lago. De lá para cá não paramos mais. Já foram 6 edições do evento, que cresce em número de colaboradores a cada ano.

A desobstrução da Orla do Lago Paranoá foi um grande avanço em termos civilizatórios e de direito à cidade. Ao longo dos anos, pessoas com residências próximas à margem do Lago Paranoá avançaram a demarcação do lote, desrespeitando o limite legal e impedindo o acesso do restante da população à orla, inclusive a parques ecológicos. Mas, para além da moralização do uso do espaço público, a desobstrução cumpriu um papel ambiental importante. Construções no perímetro de 30 metros da margem – faixa de tamponamento do Lago –  estavam causando a impermeabilização do e erosão (com o desmatamento e o consequente enfraquecimento da margem).

Com a Orla desobstruída, precisamos agora que ela seja ocupada de forma sustentável. Foi realizado um concurso público para e o projeto vencedor já está pronto para ser implementado. O plano foi avalizado por ambientalistas e por grandes nomes nacionais da arquitetura e do urbanismo. Entretanto, em discurso público, o Governador teve coragem de dizer que seria ruim, para os moradores da Região, que pessoas andassem na orla. Nós do Ocupe o Lago defendemos que a orla deve ser de uso público, com ocupação cultural e para o lazer das famílias.

Em meio a tudo que envolve a utilização da orla do Lago Paranoá, seguimos com nossos projetos de limpeza (resultado: mais 60 toneladas de lixo recolhidos) e de ocupação desse espaço pela população do DF. Até o momento, mais de 3 mil crianças já puderam conhecer O lago por meio do Tour das Pontes. Também executamos plantios e intercâmbio entre jovens do mundo inteiro. No último evento, em fevereiro de 2019, mais de 30 jovens de 11 países participaram dessa imersão no Lago Paranoá.

O Artigo 225 da Constituição Federal diz que “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. A experiência de contemplação daquilo que Lúcio Costa chamou de “Escala Bucólica” deve ser direito de todos! No que depender de Nós do Ocupe o Lago, cada morador do DF terá essa vivência inesquecível. 

Tony Lopes

Designer Publicitário, Gestor Ambiental e Vice-Presidente da Associação #ocupeolago

Com o objetivo de pensar alternativas aos problemas que afligem a população, o projeto 30 Dias Pelo Direito à Cidade busca formar um mosaico de visões dos mais diversos personagens que vivem, constroem e projetam a metrópole brasiliense.

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