Condomínios fechados: New Way of Life? Nem tanto!

A imagem dos condomínios fechados no Brasil foi conhecida pela primeira vez em 1954 no estado de São Paulo, mas apenas se consolidou na década de 70, dez anos após a inauguração oficial de Brasília. Hoje pode-se perguntar: Quantos já moram ou desejam morar em um? Será essa a melhor alternativa de moradia? Como leitor e cidadão, pare um minuto e responda a estas questões, pois podem definir sua visão sobre a cidade.

O ponto interessante é a reflexão a respeito dos impactos mais diretos que esses causam: Segregação Social, utilização de espaço público pelo meio privado e congestionamento do meio viário, ou seja, engarrafamentos! Quem nunca pegou um congestionamento em Brasília e se atrasou para algum compromisso? Mesmo com falhas, a imagem de venda de um empreendimento fechado é maravilhosa: Segurança, isonomia de classes, fuga do caos urbano, crianças brincando na rua, felicidade em família e áreas verdes! Contudo, o problema alcança proporções muitas vezes não explícitas à população em geral.

Rua de condomínios fechados

As ruas dos condomínios fechados, são em muitos casos, logradouros públicos, ou seja, de utilização de TODA a população. De acordo com a Lei 6.766/79, o acesso aos mesmos pode ser “controlado”, mas jamais barrado. Então por que apenas algumas pessoas podem ter passagem liberada? A resposta é clara: Segregação social, racial e apropriação por parte de poucos de um espaço para todos.

Cada vez mais pode-se observar o crescimento desenfreado destes investimentos, pois trazem lucro a uma patota específica e, ainda que problemáticos, são vistos com bons olhos. O interessante é que desde a primeira publicação comercial no jornal Folha de São Paulo em 1975 sobre vendas de lotes de um destes empreendimentos, o marketing de venda não se alterou. Termos chave são utilizados até hoje como “novo conceito de moradia”, “segurança” e “estilo de vida total”, ainda sendo amplamente aceitos no mercado.

A segurança proporcionada por essas muralhas é falha, pois apenas ambientes com diversas tipologias urbanas (comércio, parques, moradias, instituições, etc…) e pessoas de diversas classes tendem a gerar segurança urbana, como já demonstrado por Jane Jacobs em “A Morte e Vida de Grandes Cidades”. A expressão que a autora cita é “Olhos da Rua”, pois estes ambientes tendem a se policiar sozinhos e gerar interações mais seguras. Um exemplo interessante foi um caso que circulou pela internet sobre uma moça que liberou seu wifi para a rua, porque sentia que ela era perigosa. Com o passar do tempo, pessoas passaram a frequentar o local, crianças e pais se apropriaram do espaço público ao redor, o que aumentou a segurança de todos e fez a rua evoluir como espaço público.

Deixo a reflexão: Você gostaria de morar em uma muralha e ser controlado o tempo todo ou dividir a cidade com as pessoas e aproveitar a liberdade que a mesma proporciona?

Rodrigo Melo Abranches

Nascido em Montes Claros – MG, atualmente cursando o último período de Arquitetura e Urbanismo pelo Centro Superior de Ensino de Juiz de Fora (CES/JF) em Minas gerais. Amante da cidade e crítico da maneira que as mesmas são exploradas comercialmente por poucos, pregador da cidade coletiva, do desenvolvimento consciente e do fim da segregação social física promovida por algumas construções. Acha Brasília uma cidade maravilhosa e com grande número de qualidades.

Com o objetivo de pensar alternativas aos problemas que afligem a população, o projeto 30 Dias Pelo Direito à Cidade busca formar um mosaico de visões dos mais diversos personagens que vivem, constroem e projetam a metrópole brasiliense.

Todos os textos são de responsabilidade do(a)s respectivo(a)s autore(a)s.

 

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