aniversário

Hoje a cidade planejada está completando 60 anos. A capital erguida do vazio de terra vermelha do Planalto Central está alcançando sua senioridade. Um grande monumento a céu aberto de plano promissor, mas que infelizmente esconde, e não muito bem, desigualdades e opressões gritantes.

Brasília se tornou, a meu ver, uma alegoria da dinâmica social brasileira. A forma como os prédios e os espaços foram dispostos na cidade materializa o elitismo, o preconceito e a petulância das classes dominantes de sempre. Os poderosos se esforçaram para haver espaço para tudo, menos para os pobres.

Enquanto temos áreas como o Lago Sul onde o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH é próximo ao da Suíça, regiões como a Chácara Santa Luzia, na Estrutural, local onde o Estado é literalmente um ente imaterial, tem índices de violência que se comparam ao de países como Nicarágua e El Salvador, dois dos mais violentos do mundo.

Se até fomos governados por “coronéis”, como negar a conexão com o que há de mais nefasto no fazer Brasileiro? A nossa política não foge à regra nacional. Ao longo da história passamos por diversos escândalos de corrupção. Presenciamos a abertura efetiva da caixa de pandora, que na prática já vinha espalhando seus malefícios pela cidade há anos; caixa dois, dinheiro na bolsa e toda sorte de desvios que o já calejado imaginário brasileiro pensar foram vividos em nossa cidade. A Câmara Legislativa, teoricamente criada para representar o povo, se portou no meio desses escândalos e em grande parte de suas legislaturas como um grande puxadinho do Palácio do Buriti. Uma casa de conchavos e acordos de bastidor, comprometida de forma consistente com qualquer coisas menos o povo.

Há alguns anos, porém, perfis diferentes de políticos e gestores públicos tem surgido e mostrado, ao menos no discurso, compromisso com a transformação da alarmante desigualdade social e territorial do DF. O governador Ibaneis, que como tantos outros se elegeu vendendo a ideia da mudança, por exemplo, já começa a vacilar. Ele que foi um dos primeiros a reagir de forma técnica à crise gerada pelo covid-19, parece começar a fazer gestos para o lado da ignorância e já aventa a abertura irrestrita de comércios, pondo em risco a segurança, vida e saúde do povo do DF. Sem falar na tendência privatista recorrente e na militarização das escolas, é claro.

Mas o brasiliense resiste! O povo se apoderou do quase nada que lhes foi dado e subverteu. Criou suas cidades orgânicas, vivas. As ruas do centro da Ceilândia, a feira do Guará, o samba do setor comercial, o museu de Planaltina, o colégio Chicão em São Sebastião e tantos outros espaços populares representam o que é o Distrito Federal real, não o branco desbotado dos palácios e prédios de governo. Nossa torcida é para que o DF se torne cada vez mais uma cidade do povo e para o povo. Queremos praças, inclusive a de Marielle, vetada pelo governador, espaços de cultura, quadras, escolas e também emprego, segurança, saúde pública! Queremos as ruas ocupadas!

Os desafios para os 60 que virão ainda são enormes, mas a garra do povo brasiliense é sem tamanho. O sangue nordestino, nortista e de tantas outras partes do país que corre em nossas veias não nos deixa fugir a luta por direitos! Não estamos como gostaríamos, mas lutaremos para chegar lá. Os conservadores e patrimonialistas que mudem suas visões retrógradas ou serão engolidos pela Brasília real que pulsa, vibra e se reinventa todos os dias!

Parabéns, Brasília!

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