Às vésperas do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, que acontece no próximo dia 27 de janeiro, o Brasil entra em choque com a semelhança entre o discurso feito pelo secretário de Cultura do governo Bolsonaro, Roberto Valim, e o ministro da Propaganda da Alemanha Nazista. 

Após manifestações de repúdio feitas por diversos setores da sociedade, o secretário de Bolsonaro foi exonerado. Contudo, não nos enganemos. A inspiração deste governo nas ideias e práticas do empreendimento nazista liderado por Adolf Hitler são notórias desde antes o período da campanha eleitoral de 2018. 

O presidente brasileiro ascendeu ao poder pregando a submissão da minoria à maioria, defendendo a tortura e a perseguição de inimigos criados em sua cabeça. Há, inclusive, registros em vídeo de Bolsonaro declarando, enquanto deputado, que Hitler foi um grande estrategista. Quando a maior autoridade da nossa República prolifera esses discursos de ódio e de cerceamento das liberdades, grupos criminosos que se alinham com essa ideia de purificação de raças se vêem estimulados a saírem das sombras e a agirem à luz do dia.

Aqui no DF a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa, da qual sou presidente, atuou em casos emblemáticos no ano de 2019. Em Agosto, demos suporte para um rapper, poeta e grafiteiro que foi gravemente agredido fisicamente em Ceilândia após dar entrevistas como organizador de um evento antifascista. Na mesma semana, tivemos que cobrar esclarecimentos ao secretário de Educação do DF sobre a existência de um livro nazista na biblioteca do Centro de Ensino Médio 01 de Sobradinho.

O regime nazista foi responsável pela morte de seis milhões de pessoas, além de propagar ódio e preconceito contra judeus, negros, homossexuais, ciganos e outros grupos sociais vulnerabilizados. Os crimes contra a humanidade cometidos por Hitler são mundialmente repudiados. Não podemos tolerar que o Estado brasileiro naturalize os discursos e práticas fascistas, que atacam a democracia e tentam manter grupos historicamente estigmatizados em posição subalternas. 

É urgente e imprescindível que sigamos alertas e continuemos nos indignando e cobrando todos os órgãos públicos a cada vez que a apologia ao nazismo e demais práticas criminosas são enaltecidas. Não aceitaremos qualquer desrespeito à memória das vítimas do holocausto e qualquer tentativa de se espelhar em práticas tão condenáveis. 

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