Famosa pelo planejamento urbanístico, Brasília nunca conseguiu dar o protagonismo para a população negra que ajudou na sua construção. Esta foi a questão colocada por historiadoras e historiadores, especialistas no estudo sociológico e memória de famílias negras do DF e entorno, na primeira edição do Diálogos e Partilhas. A atividade compôs o calendário do Novembro Negro, iniciativa do gabinete 24 com o coletivos e ativistas do movimento negro pela luta antirracista e respeito ao dia da Consciência Negra.

As singularidades da Capital reproduziram em alta intensidade o mito da democracia racial e segregação social por classes. Fenômeno que a professora do Departamento de História da Universidade de Brasília, Ana Flávia Magalhães, explica como herança do pós-escravidão. “Se criou no Brasil uma ideia de que a população negra seria um resquício indesejado de um tempo a ser superado, o tempo da escravidão. Nessa matriz narrativa fica difícil perceber como esses grupos populacionais foram se mantendo na sociedade”. O grupo de pesquisa da professora da UnB também organizou recentemente a exposição fotográfica “Reintegração de posse: a história de famílias negras na construção do DF”.

Foto: Alexandre A. Bastos
Foto: Alexandre A. Bastos

As histórias que não estão nos capítulos sobre Brasília

Um dos principais pontos das pesquisas sobre o crescimento e ocupação do DF estão relacionados a exclusão de pessoas socialmente e esteticamente fora dos padrões da narrativa desenvolvimentista vendida. Cristiane Pereira, neta do carioca pioneiro que veio para Brasília como servidor público, conta como o Plano Piloto foi ressignificado por famílias negras vinda das periferias do Rio de Janeiro e São Paulo. “As pessoas que vieram para cá não tinha um passado desinteressante e trouxeram tudo o que viviam. Tínhamos festas colossais dentro dos apartamentos no Plano Piloto. O ‘baixo-clero’ do serviço público teve papel fundamental para humanização dos espaços”, relembrou a mestre em história pela UnB.

Desafios para a superação das desigualdades raciais

O maior desafio é a criação de políticas públicas de ampliem o acesso à educação, cultura, segurança e saúde para a população negra. O Atlas da Violência de 2018 mostrou que 75% das mortes causadas por policiais no Brasil foram contra pessoas negras. Para Fábio Felix, parlamentar negro, o Brasil vende uma miscigenação para não resolver o problema racial. “A gente precisa se colocar no lugar que a gente se vê na história e que a história enxerga a gente. Enfrentar o racismo institucional e racismo religioso, que impede que as religiões de matriz africana não tenha seus terreiros, histórias e tradições respeitadas”, reforçou o parlamentar.

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