Além do Dia Nacional da Consciência Negra, a data de hoje é marcada também pelo Dia Internacional de Memória Trans, em alusão a todas as pessoas trans/travestis que foram assassinadas em virtude da transfobia.

Segundo a Transgender Europe, de 01 de outubro de 2018 a 30 de setembro de 2019, foram reportados 331 assassinatos de pessoas trans nos 74 países acompanhados pela instituição. O Brasil, seguindo a sua tradição transfóbica, permanece como país com maior número de casos, contabilizando 132 só no período citado. E seguindo o caráter racista dos homicídios no Brasil, cerca de 80% das vítimas são negras. O número, no entanto, é sabidamente subnotificado, uma vez que não há registros oficiais sobre a população trans no Brasil e os dados dependem da contabilidade de notícias publicizadas em veículos midiáticos.

Ato pela visibilidade trans na Rodoviária do Plano Piloto. Foto: Alexandre A. Bastos

Hoje, portanto, é dia não só de rememorar as vidas e a luta de quem tombou somente por tentar viver quem se é, como Kelly da Silva, de Campinas – SP, que teve seu coração arrancado e uma santa enfiada no peito. Como Victoria Jugnet, de Brasília – DF, que se viu sem forças para continuar diante de tanto ódio, inclusive o disseminado pela ministra Damares. Hoje também é dia de dizer que as vidas trans importam e que o número de assassinatos motivados simplesmente pelo ódio à identidade transgênera das vítimas, não diminuirá sem políticas afirmativas de combate à discriminação transfóbica.

A inexistência de tais políticas nos relega a uma verdadeira segregação social. Não é à toa que pessoas cisgêneras (aquelas que não são trans) nos tratem como seres exóticos: somos expulsas/os de nossas famílias de origem, nos negam emprego, nos negam afeto, nos expulsam da escola. Nos negam nossa própria humanidade, tornando-nos coisas ou, mais ainda, seres abjetos. Servimos, então, somente como piada, objetos de fetichização sexual, de simbolismo de tudo o que não presta.

No dia de hoje, é preciso afirmar que a superação da realidade de assassinatos transfóbicos no Brasil perpassa pela garantia de que pessoas trans e travestis tenham seu direito à educação e formação profissional, além de políticas específicas para promoção de empregabilidade, para superarmos a prostituição compulsória (quando esta é a única alternativa) e os riscos à saúde e à vida que ela impõe. E que, se for a profissão exercida, que o seja com políticas específicas para garantia de saúde, assistência social e segurança.

Lucci Laporta
Ativista Trafeminista
equipe do Gabinete 24

Conheça nossa Newsletter!

Inscreva-se para receber informações toda semana sobre o trabalho do mandato na Câmara Legislativa do DF.

Obrigado! Sua inscrição foi confirmada.