O presidente da comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa, deputado Distrital Fábio Felix (PSOL), realizou nesta manhã audiência pública que antecede a mudança do nome da praça localizada em frente a Galeria dos Estados. O Projeto de Lei nº 167/2019 foi aprovado por unanimidade e segue para votação em comissão temática e na comissão de Constituição e Justiça. A iniciativa traz para o espaço central da capital do país o reconhecimento do trabalho desenvolvido pela vereadora do Rio de Janeiro, símbolo das lutas pelos direitos das mulheres, negros e LGBTs. “Nós estamos propondo um caminho diferente da cultura que perpetua ditadores e seus valores, Marielle representa a luta por um país igualitário e de respeito às diferenças”, defende o deputado Distrital.

Fábio ainda anunciou um novo projeto de lei que foi protocolado na Casa hoje (1) e que proíbe a nomeação de torturadores e líderes que infringiram os Direitos Humanos aos lugares públicos do DF. Segundo o parlamentar, o debate das referências simbólicas é o primeiro passo para a transformação de políticas públicas. “Não podemos ser coniventes com a cultura que referenda atitudes nocivas e degradantes por todo o país”, complementou Deise Benedito, ex-perita do Mecanismo de Prevenção e Combate à Tortura.

Praça Marielle Franco

Audiência pública discute dar nome Marielle Franco a praça do DF

 

Praça Marielle Franco e Ato em repúdio às comemorações do golpe de 1964

A audiência se iniciou com um minuto de silêncio em respeito aos mortos e torturados pela Ditadura Militar. A homenagem foi uma resposta à recomendação do presidente Bolsonaro para comemorações do golpe e extensão da mobilização nacional que aconteceu no último domingo, data que marcou os 55 anos dos anos do golpe militar.

“Estamos vendo a falta de vocação desse governo para uma democracia. Há o movimento da lógica revisionista, ou seja, de reescreverem a história a partir da perspectiva deles”, criticou Fábio Felix. Episódios da ditadura foram relembrados por Hamilton Pereira da Silva, ex-secretário da Comissão de Direitos Humanos da CLDF e pela ex-deputada federal Maninha (PSOL), que entraram na militância pró-liberdade ainda jovens, a partir de movimentos estudantis. “Aos 16 anos vi pela janela camburões de soldados passando pela cidade e vi minha escola em Minas Gerais ter risco de fechar pela falta de professores, que estavam sendo presos pelos militares. Anos mais tarde fui entender o que tinha acontecido”, lembrou Maninha.

As manifestações contra a comemoração do golpe de 64 também foram contra os setores que querem reescrever a história na defesa da ditadura militar. “Hoje, a possibilidade de lembrar o que foi o 1º de abril nos permite fazer uma reflexão e identificar, que as forças políticas que protagonizaram a derrubada do governo democrático em 1964 permanecem”, concluiu Hamilton sobre a representação dos atos políticos que aconteceram nos últimos dias.

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