Foto: Eurico Eduardo/CLDF

O militar José Eduardo Natale, major do Exército, foi ouvido na sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito que ocorreu nesta segunda (9). Natale foi flagrado por câmeras internas do Palácio do Planalto cumprimentando e fornecendo água aos golpistas que invadiram e depredaram o local, no dia 8 de janeiro. O major ainda compôs o GSI do governo Bolsonaro, permaneceu após a vitória de Lula e foi exonerado depois dos atos golpistas.

Fábio Felix, membro titular da CPI, questionou inicialmente sobre a função que o major exercia no governo anterior e como foi o processo de transição no órgão assim que o novo presidente foi eleito. O depoente afirmou que era supervisor de segurança presidencial e que teve apenas uma rápida conversa sobre a rotina no GSI com os novos membros da pasta que faz a segurança de Lula.

Natale também disse que não tinha qualquer relação direta com o ex-presidente. “Eu comandava o módulo de segurança, acima de mim havia o coordenador e o diretor, este último é quem tem contato direto com o chefe do executivo”, explicou.

Fábio questionou sobre o planejamento de segurança para o dia 8 de janeiro e o major respondeu que não havia nem um, pois a informação inicial era de que seria “um domingo normal como qualquer outro e que a manifestação se concentraria na Praça dos Cristais, composta apenas por um pequeno grupo. Assim que soubemos que os manifestantes estavam descendo aderimos ao Plano Escudo, que é um plano preventivo que já existe”, esclareceu Natale.

O Major também relatou que muitos dos manifestantes estavam armados com pedras, protegidos com máscaras e óculos, o que claramente mostrou que estavam preparados para ação violenta. “É importante você falar isso porque alguns acreditam que os manifestantes invadiram quase sem querer o Palácio do Planalto, é importante que o senhor faça esse registro como testemunha ocular que estava naquele contexto”, pontuou Fábio Felix.

O deputado indagou se Natale não ficou sabendo da convocação para a manifestação por meios informais, como Whatsapp e Telegram, ele garantiu que não e que ‘foi pego de surpresa’ no dia 8 de janeiro.

Para finalizar, o parlamentar perguntou sobre o tratamento amigável que o major concedeu aos manifestantes que invadiram e depredaram o Palácio do Planalto. “O senhor foi alvo de uma sindicância e no relatório tem a seguinte frase: ‘sindicância foi instaurada para apurar os atos do dia 8 e não aplicou qualquer sanção, mas registrou condutas como a distribuição de água e o cumprimento aos manifestantes não previstas nas regras de engajemento’. O senhor sabe informar, de acordo com estas regras, qual deveria ter sido seu comportamento naquela situação?”

Natale respondeu que nas regras de engajamento não existia orientação específica sobre o cenário que se deu no dia 8, com manifestantes truculentos e invasão do Palácio. Fábio contestou, então, se o major acredita que agiu de forma correta, e ele consentiu que sim.

“As cenas gravadas do senhor com os manifestantes gerou uma indignação pública muito grande porque era um momento muito grave de depredação do patrimônio público e vimos imagens de autoridades, que ocupavam cargos importantes, inertes dentro do Palácio do Planalto. O senhor disse que foi surpreendido, mas isso acarreta essa insatisfação em grande parte da população até pela contaminação política que a gente sabe que houve naquele momento quando o ex-presidente da república sequer reconheceu o resultado das eleições”, concluiu Fábio Felix.