Foto: Carlos Gandra/CLDF

A Comissão Parlamentar de Inquérito ouviu nesta quinta-feira (5) Wellington de Macedo, um dos envolvidos no planejamento de ataque a bomba no aeroporto de Brasília, em dezembro do ano passado. O inquirido estava foragido desde o ocorrido e foi preso em setembro.

O deputado Fábio Felix se dirigiu ao depoente afirmando que ele se autointitula jornalista, mas que ficou bem claro, pela checagem da sua vida pregressa, que ele não realizava um ofício imparcial. “O senhor fazia um trabalho opinativo e defendia muito claramente um lado político, se é que isso pode se chamar de jornalismo. Nós não estamos vinculando o senhor ao Bolsonaro de forma artificial, o senhor tinha posições muito claras e verbalizadas”, frisou o deputado.

Fábio perguntou sobre a relação de Wellington com a senadora Damares, com quem trabalhou no Ministério da Mulher. Fábio ironizou o fato de ela sempre o ter tratado com imensa intimidade, e, agora, como se mal o conhecesse.

O parlamentar citou diversos vídeos em que o depoente convocava os patriotas para os atos de destruição de Brasília no dia 12 de dezembro. Em um deles, Wellington cita que Bolsonaro havia autorizado a convocação. “É correto afirmar isso?”perguntou Fábio Felix, Wellington se negou a responder e, em seguida, disse que só conhecia o ex-presidente “pelo cercadinho, ao visitar o Palácio do Alvorada”.

“Para finalizar minhas perguntas eu vou falar agora sobre o ataque a bomba, isso é muito grave. Aqui eu imagino que não tenha nem direita, nem esquerda nesse caso, porque o senhor participou de uma trama que é a tentativa de ataque terrorista no Aeroporto de Brasília, que poderia se estender para uma área de abastecimento de energia e até a rodoviária do Plano Piloto. Então isso é muito grave. Qual era a sua relação com Allan (condenado por transportar a bomba)?”, indagou Fábio.

Wellington tentou negar qualquer relação com o acusado, disse que ele “apenas pediu carona para a região aeroportuária, o que ele negou em um  primeiro momento, mas após recomendação de uma outra pessoa que estava no acampamento do QG do Exército, ele cedeu por ser uma pessoa ‘extremamente generosa’”.

“Eu não acho que o senhor esteja tratando a gente respeitosamente, estou perplexo com esse depoimento. O senhor carregou o homem-bomba que ia explodir o aeroporto de Brasília e você não sabia de nada? A versão do senhor não se sustenta de pé, todo mundo sabe que nos últimos anos o senhor não se dedicou ao jornalismo, mas sim a uma militância política pró-Bolsonaro. Eu espero que meus colegas dessa CPI tenham muita responsabilidade, porque nós estamos defendendo aqui o povo do Distrito Federal”, pontuou Fábio Felix.