Excepcionalmente nesta segunda-feira (5/6), a CPI dos Atos Golpistas realizou a oitiva do Coronel Marcelo Casimiro, ex-comandante da Polícia Militar e um dos responsáveis pela segurança da Capital no dia 8 de janeiro.

O deputado Fábio Felix (PSOL-DF), membro titular da CPI, deu início ao interrogatório questionando sobre a reunião para elaboração do Plano de Ações Integradas (PAI 2). “Segundo a ata à qual tivemos acesso, o senhor disse nesta ocasião que já havia recebido um folder de convocação para a manifestação falando em ‘tomada do poder pelo povo’. Quem entregou esse folder?”

O Coronel confirmou o recebimento de diversos materiais nesse sentido, mas disse que elas eram insuficientes para avaliar o risco que as manifestações ofereciam. “Quando vamos aos protestos sempre imaginamos a existência de um certo risco, mas em relação a essa do dia 8 não imaginávamos que seria com violência e depredação, isso nem passava pela minha cabeça”.

Fábio rebateu e expôs o fato de que a Subsecretaria de Inteligência emitiu relatórios sobre a possibilidade da manifestação se radicalizar. “Não seria o caso de a operação ter sido melhor preparada?”, questionou o parlamentar ao Coronel que negou ter recebido qualquer informação do setor de Inteligência.

Foto: Alexandre Bastos/Mandato Fábio Felix

Em seguida foi exibida, no telão do Plenário, uma matéria do portal Metrópoles com prints de uma conversa no Whatsapp entre o Coronel Paulo José, também responsável pela segurança no dia dos Atos Antidemocráticos, e um informante que estava no acampamento golpista. As mensagens dizem que os bolsonaristas “vieram preparados para guerra” e que havia conversas se “referindo até a morte”. Veja abaixo:

Casimiro alegou que recebeu essa mensagem encaminhada pelo Coronel Paulo José, mas que não era possível verificar a veracidade. “A gente recebia diversas mensagens e participava de diversos grupos, essa em questão necessitava de uma melhor análise, então eu não dei crédito”.

Sobre o Plano de Ações Integradas (PAI) para o dia 8 de janeiro, o Coronel veementemente afirmou que não era sua função a responsabilidade do planejamento neste dia. Sobre a alteração do horário da chegada da PM no local, que mudou de 8h para 15h, assumiu que foi dada por ele. “Não sabíamos a hora exata da manifestação e os policiais tinham trabalhado no dia anterior, então eu conversei com o Major Flávio Alencar para botar o efetivo da PM à tarde, já que de manhã teria o efetivo do Departamento de Operações  Policiais Estratégicas (DOPE) na Esplanada, a partir das 7h.

Fábio finalizou questionando sobre a mensagem que o Major Flávio Alencar, designado pelo depoente para comandar a ação, enviou a um grupo de policias no Whatsapp em que dizia “ na primeira manifestação é só deixar invadir o Congresso”. O Coronel disse não recordar se fazia parte desse grupo e que não teve conhecimento sobre a mensagem.

A próxima oitiva da CPI dos Atos Golpistas acontece no dia 15, às 10h. O convocado é o General Marco Edson Gonçalves Dias, ex-Ministro Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI).