Foto: Alexandre Bastos/Mandato Fábio Felix

A CPI dos Atos Antidemocráticos realizou nesta quinta-feira (22) oitiva com o General Marco Edson Gonçalves Dias, conhecido como G. Dias, que era o ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República no dia 8 de janeiro.

O deputado Fábio Felix, antes de iniciar seus questionamentos ao depoente, falou sobre a onda de negacionismo generalizado vivido no país e também na Câmara Legislativa do Distrito Federal, por parte de alguns parlamentares insistentes na teoria de que a tentativa de golpe do dia 8 de janeiro foi articulada e realizada por pessoas ‘infiltradas’.

“Vivemos o negacionismo com a vacina, medidas sanitárias e agora estamos passando por isso em relação a fatos concretos. Não conseguem apontar um desses supostos infiltrados, não tem um convocado para essa CPI, e por mais absurdo e juvenil que pareça, alguns deputados vão trazer essas versões aqui. Tem até uma tese de que o acampamento no QG do exército não tem nada a ver com o dia 8 de janeiro, sendo que todo mundo sabe que as pessoas que lá estavam queriam articular um golpe e não reconheciam o resultado das eleições, alimentadas pelo ex- presidente da república que, inclusive, hoje está tendo sua  inelegibilidade julgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), espero que tomem uma decisão corajosa”, ressaltou Fábio Felix.

Em seguida, o parlamentar citou uma matéria recente do Financial Times, que expôs o esforço de militares e autoridades estadunidenses para dissuadir ideias golpistas da cúpula das forças armadas no Brasil. “A mensagem era que eles ficariam neutros, mas não apoiariam qualquer iniciativa de invalidar o resultado das eleições. O senhor teve algum diálogo com autoridades do Brasil sobre tentativas de golpe ou soube de movimentações da cúpula do Exército para não reconhecer o resultado das eleições? Sobre o  Almirante Almir Garnier Santos em específico, que, segundo a reportagem, era um dos entusiastas do golpe mais difícil de dissuadir?”

General Dias primeiro elogiou a exposição inicial do deputado e, em seguida, afirmou não ter conhecimento sobre os fatos citados na reportagem. “Fiquei muito tempo afastado das Forças Armadas só retornei no meio do ano passado, quando o presidente Lula me chamou pra fazer a gestão da sua segurança durante a campanha. Mas se trata de um assunto de extrema importância e que precisa ser apurado”.

Fábio Felix questionou, então, sobre o processo de transição do GSI e o General afirmou que “não houve. A gestão anterior não dialogou, nem trocou informações com a nova equipe”.

Sobre a conduta do General Penteado, que fazia parte da equipe do GSI do governo Bolsonaro e foi mantido no GSI, o inquirido disse que hoje não o nomearia novamente e que a verdade “tem que aparecer”.  “Assim como estou aqui, ele também poderia sentar aqui, precisa ser apurada a conduta dele. Minha convivência com o General foi relativamente pouca, então não posso afirmar que pode ter havido uma sabotagem, mas precisa ser apurado”, enfatizou o General Dias.

Fábio Felix perguntou também se houve convite para o GSI participar da reunião sobre o planejamento para o 8 de janeiro. “Não fomos convidados e não participamos. Inclusive só tive acesso aos relatórios de inteligência da Abin dias após os atos golpistas porque solicitamos, mas são uma série de mensagens enviadas por whatsapp sem comprovação de dados. A Secretaria de Coordenação de Segurança Presidencial se baseou na agenda de manifestações da Policia Militar, lá constava a do dia 8 como ‘baixa adesão e intensidade’.

O General Dias finalizou afirmando que após a depredação das sedes dos Três Poderes, 250 pessoas foram exoneradas do Gabinete de Segurança Institucional, o número representa 35% do efetivo total da pasta.

A sessão da CPI de hoje também aprovou requerimento, de autoria do deputado Fábio Felix, que pede às empresas que forneceram bens ou serviços para utilização no acampamento do SMU – no período de 30/11/2022 a 09/01/2023 – o nome dos consumidores solicitantes. Confira abaixo quais são os estabelecimentos.

SEI_CLDF-1195294-Anexo