Foi realizada nesta segunda-feira (3) Audiência Pública para discutir a situação do transporte público que atende a Universidade de Brasília (UnB) e o Instituto Federal de Brasília (IFB). O evento foi organizado pelos deputados Fábio Felix e Max Maciel, integrantes da Comissão de Mobilidade e Transporte da Câmara Legislativa.

“Desde que eu entrei na CLDF a questão do transporte é uma das principais pautas de precarização da vida humana, na Comissão de Direitos Humanos recebemos centenas de denúncias relacionadas à dignidade das pessoas por conta do mau funcionamento do transporte público”, ressaltou Fábio Felix em sua fala inicial.

Segundo o parlamentar, o principal problema da mobilidade no Distrito Federal é que ela não funciona sob a perspectiva do direito à cidade. “O DF é absolutamente pensado para o transporte individual, é um problema que estrutura as nossas relações e o nosso direito de acesso ao transporte. Brasília é pensada para os carros e não para as pessoas”, ressalta.

A reitora do IFB, Luciana Miyoko, afirma que a falta de transporte público tem levado os alunos a deixarem de frequentar as aulas. “É multifatorial, mas sem dúvidas não ter linhas de ônibus, regularidade e acessibilidade são fatores que contribuem para a evasão escolar. A maioria dos estudantes, cerca de 20 mil, possui renda familiar de até 1,5 salários mínimos, por isso dependem muito do transporte público ”, explica a reitora.

O subsecretário de Operações (SUOP) da Secretaria de Mobilidade, Márcio Antônio de Jesus, esteve presente e justificou que o péssimo funcionamento do transporte é causado pela dificuldade de planejamento das rotas “porque Brasília é uma cidade pendular”.

“Nós temos horários de concentração e demanda bem diferentes, por isso o levantamento das necessidades específicas dos estudantes é importante, isso vai direcionar o trabalho dos técnicos de mobilidade. Então, eu queria propor uma sequência de reuniões na subsecretaria de operações, a partir desse levantamento, para receber cada uma das instituições, UnB e IFB, tratar das solicitações de cada uma e realizar os ajustes necessários”, garantiu Márcio Antônio de Jesus.

Em relação à ampliação do passe estudantil para atividades culturais, o subsecretário disse que a SEMOB cumpre o dispositivo da Lei que limita o número de passes e não pode conceder mais do que o previsto, portanto seria preciso ampliá-lo.

Outro ponto discutido foi a falta de acessibilidade dos coletivos para pessoas com deficiência. Alunos relataram que motoristas não manuseiam as rampas de acesso de forma correta e sugeriram que as empresas forneçam curso – para condutores e cobradores – de como lidar com pessoas com mobilidade reduzida.

Os encaminhamentos finais foram:

  • Debater com o DRE a construção de uma parada no IFB Campus Taguatinga
  • Renovação da frota da Pioneira, Piracicabana Urbi e Marechal
  • Acompanhar e cobrar do GDF a apresentação de um novo PL de reformulação do Passe-Livre, permitindo que domingo e feriados também sejam incluídos no sistema de gratuidade

Também participaram da Audiência Pública o chefe de gabinete da reitoria da UnB, prof. Paulo Cesar Marques, as representantes do Diretório Central dos Estudantes da UnB, Monna Rodrigues e Sofia Cartaxo, o vice-presidente do Centro Acadêmico de Gestão Pública do IFB, Lucas Carvalho e a representante do Movimento Passe Livre (MPL), Ana Vaz.

Foto: Alexandre Bastos/Mandato Fábio Felix