A CPI dos Atos Golpistas desta quinta-feira (23) interrogou Júlio Danilo, o então Secretário da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal na noite em que ocorreram os atos terroristas do dia 12 de dezembro, praticados por bolsonaristas que espalharam caos e terror na área central de Brasília. Na ocasião ninguém foi preso.

Fábio Felix iniciou sua fala questionando sobre a atuação da Secretaria de Segurança em relação à desmobilização do acampamento golpista do QG do Exército. “Assim que iniciou a ocupação do local em frente a área militar, imaginávamos que seria uma manifestação como qualquer outra, que logo se daria sua dissolução, a medida que foi se perpetuando dialogamos com o comando militar do Planalto para podermos atuar”, respondeu Júlio Danilo.

“Já participei de negociações de diversos acampamentos com o senhor, especialmente acampamentos indígenas.  Existe uma série de regras em Brasília por ser uma área tombada, geralmente (acampamentos) não são permitidos e quando são, é por tempo determinado, com remoção imediata. Então me gerou uma certa estranheza a leniência com que esse acampamento de bolsonaristas foi tratado por tanto tempo”, disse o parlamentar em contraponto à resposta do ex-secretário. 

O depoente respondeu que houve diversas reuniões e garantiu que a Secretaria atuou para que o alojamento fosse desocupado, mas que por ser área militar a jurisdição não competia aos agentes de segurança do Distrito Federal, mas sim ao Exército Brasileiro.

Em seguida, Fábio Felix leu um documento que foi enviado ao ex-secretário, Júlio Danilo, pelo Coronel Fabiano Augusto da Silva, Chefe do Estado Maior do Comando do Planalto, com várias orientações e pedidos para o acampamento, entre elas policiamento ostensivo da área e até uma ambulância. Júlio Danilo novamente reforçou o argumento de que se reuniu com o Coronel e disse a ele que era necessário iniciar a desocupação do local, mas que não foi possível. “Lá dentro quem atuava era a polícia do exército”.

O deputado indagou se chegou à Secretaria a informação de que havia membros do GSI infiltrados no acampamento, liderados por General Heleno e Jair Bolsonaro, incitando os altos golpistas. Júlio Danilo negou ter conhecimento.

Sobre ninguém ter sido preso após os ataques terroristas do dia 12 de dezembro, o ex secretário se limitou a dizer que prisões posteriores aconteceram graças às investigações a partir daquele dia.

À CPI, Fábio Felix apresentou um requerimento que pede a oitiva do Major Cláudio Mendes dos Santos para depor sobre os atos praticados, nos dias 12 de dezembro de 2022 e 08 de janeiro de 2023, contra os Três Poderes da República.

“Ao que tudo indica, os atos antidemocráticos foram previamente arquitetados, planejados e financiados, com vistas a alterar o resultado das eleições presidenciais, a partir de outubro de 2022, e obstar a alternância de poder”, afirmou o deputado.

O policial militar convocado foi detido hoje pela Operação Lesa Pátria, acusado de liderar o acampamento no QG do Exército. Ele é suspeito de treinar pessoas que lá estavam para atividades criminosas. “Estamos falando aqui da possibilidade de uma conspiração criminosa para um golpe de estado envolvendo instituições e também há o crime de prevaricação”, concluiu Fábio Felix.