Em sessão realizada nesta quinta-feira (16), a CPI dos Atos Golpistas ouviu  o coronel Jorge Eduardo Naime, ex-comandante de Operações da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).

Ao ser questionado pelo deputado Fábio Felix, um dos membros da Comissão, o ex-comandante afirmou que mantinha contato, através do Whatsapp, com lideranças responsáveis pelo acampamento golpista do QG do Exército, célula de incitação para a consumação dos ataques do dia 8 de janeiro. “Tinha vários contatos com lideranças do agro, de caminhoneiros, mas para atividades profissionais”, garantiu o ex-comandante.

O parlamentar enfatizou que uma das principais respostas que a CPI precisa dar é se houve crime de prevaricação, e questionou sobre a relação do depoente com o ex-presidente. “O Senhor conhece pessoalmente Jair Bolsonaro e já esteve em reunião com Bolsonaro, Anderson Torres ou teve conhecimento da participação deles na elaboração de instrumento jurídico ou legal para questionar o resultado das eleições presidenciais de 2022?”, perguntou o parlamentar.

“Não tenho conhecimento. Tive contato com Bolsonaro apenas no dia 7 de setembro de 2022 e com Anderson somente quando ele estava na Secretaria de Segurança e acompanhava algumas operações”, afirmou Jorge Eduardo Naime.

Sobre o dia 12 de dezembro, em que o centro de Brasília foi alvo de ataques terroristas que depredaram patrimônio público e privado, Fábio inquiriu novamente sobre a possibilidade de prevaricação por parte da PMDF. “Me surpreendi um pouco com o fato de não ter sido efetuada nenhuma prisão, houve omissão de policiais na execução de suas funções?”.

O depoente negou e em seguida reforçou o que já havia sido apurado pela CPI em outros depoimentos, de que o comando do Exército teria impedido que o acampamento fosse desfeito pelas forças de segurança e acrescentou que um tenente da PMDF, cujo nome ele afirmou não se recordar, não teria permitido que as prisões fossem efetuadas no dia 8 de janeiro.

A Comissão também reforçou os requerimentos aprovados ontem em reunião, de autoria do deputado Fábio Felix, que convocam Oswaldo Eustáquio e o General Augusto Heleno, ex-ministro do GSI, para serem ouvidos. O ex-secretário de Segurança do DF, Anderson Torres, também foi reconvocado para depor em reunião fechada, na próxima quinta (23).