O deputado Fábio Félix realizou nesta quinta-feira (16) Comissão para discutir e analisar os prejuízos causados pelos atos golpistas do dia 8 de janeiro, que resultaram na depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília.

Foto: Alexandre Bastos/Mandato Fábio Felix

Fábio iniciou a Comissão ressaltando a importância da iniciativa para que possa ser compreendido o processo que vivemos no Brasil. “É o emprego do ódio. Quando vemos as cenas de destruição do Supremo Tribunal Federal, Congresso Nacional e Palácio do Planalto, percebemos que representa a indignação com um processo político e o emprego do ódio a partir de uma tentativa de golpe de estado, é a busca da ruptura da ordem democrática brasileira com o emprego do ódio contra as instituições. A Câmara Legislativa assumiu a responsabilidade de investigar isso através da CPI”.

Em seguida, o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Leandro Grass, disse que o órgão elaborou um relatório preliminar após vistoria nos locais vandalizados e acompanha os processos de reconstrução, dando orientação a partir dos critérios de tombamento. “Todo conjunto arquitetônico da Praça dos Três Poderes faz parte do Patrimônio Mundial, então o ataque não foi somente ao Patrimônio Nacional”, frisou. Ele acrescentou que é fundamental recuperar a presença popular nesses espaços. “Além do dano material, existe o dano simbólico, cujo prejuízo é inestimável. Por isso o IPHAN está desenhando, junto com a ministra da cultura Margareth Menezes, uma proposta de Circuito de Memória, não só sobre o 8 de janeiro, mas incluindo outras questões que são traumas da história brasileira não devidamente tratados, como a escravidão, a ditadura militar e a dizimação dos povos indígenas”.

O Presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil, Luiz Sarmento, endossou a necessidade de um projeto de educação patrimonial, pois os atos golpistas deixaram claro que existe uma incompreensão acerca da cultura do país. “É assustador quando a gente vê pessoas empunhando a bandeira nacional e, ao mesmo tempo, destruindo símbolos tão importantes quanto ela. É preciso recolocar a nação nos eixos, a CPI e essa Comissão são passos importantes para avançarmos nesse sentido”.

Luiz Sarmento expôs uma constatação muito grave que fizeram a partir da visita na Câmara Federal, que deixa ainda mais evidente o caráter criminoso e fascista dos ataques. “Vimos que houve uma tentativa real de incêndio, não era blefe, tanto que tentaram botar fogo exatamente nos dois extremos do Congresso, se eles tivessem logrado êxito teríamos o mesmo que aconteceu na Alemanha nazista, o incêndio do parlamento alemão, foi o que tentaram fazer”, contou o arquiteto.

A diretora da coordenação de preservação de conteúdos informacionais da Câmara dos Deputados, Gilcy Rodrigues Azevedo, iniciou seu relato bastante emocionada. Ela explica que no seu departamento existe um gerenciamento para previsão de vandalismo, mas jamais esteve previsto algo como o que ocorreu no dia 8 de janeiro. “Como servidora da Câmara há 30 anos, é muito difícil não chorar. Como brasileira e brasiliense, jamais esperava ver arranhões no Athos Bulcão (painéis). No dia seguinte tinham 300 pessoas trabalhando ali dentro. Nós todos estávamos no chão, ajoelhados catando cacos naquele momento como cidadãos”.

Gilcy disse que todos os objetos tinham sido recém higienizados para a posse. “Passamos meses trabalhando naquelas peças com o carinho que se dá a um bem cultural, bens que representam nossa nação. Nosso maior problema foi as pessoas não saberem o que é um bem cultural, portanto,  precisamos pensar a educação patrimonial não só como um projeto temporário, mas como um currículo educacional”. Ela finalizou apresentando o dado de que 81,25% dos bens já estão totalmente restaurados e em seus devidos locais, “nós devolvemos a democracia para o seu lugar de origem”.

Fábio Felix encerrou a Comissão com a análise de que os atos golpistas foram a culminância de um conjunto de vandalismo nas políticas públicas – projeto político nos últimos quatro anos – somado à não aceitação do resultado das urnas. “Nosso mandato denunciou diversas vezes sobre o teor golpista das manifestações que passaram semanas sendo organizadas por bolsonaristas. Agora, o que temos que fazer é exigir justiça de transição, porque nos momentos históricos em que não exaltamos a memória do que aconteceu de errado nesse país, as coisas lá na frente se repetem. Houve tentativa de golpe, mas a democracia está de pé”, celebrou.

O parlamentar finalizou salientando a importância dos servidores públicos e cobrando valorização desses profissionais que foram fundamentais para a pronta recuperação dos locais destruídos. Fábio Felix também se comprometeu a dialogar com a Secretaria de Cultura para a criação de uma carreira em patrimônio, com a criação de mais cargos técnicos, além de estratégias para ampliação da educação patrimonial.